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Princípio do Acesso à Justiça e Usucapião Extrajudicial: (In)aplicabilidade da Gratuidade da Justiça Quanto aos Emolumentos da Usucapião Adm

•4 min de leitura
Imagem do artigo:  Princípio do Acesso à Justiça e Usucapião Extrajudicial: (In)aplicabilidade da Gratuidade da Justiça Quanto aos Emolumentos da Usucapião Adm
Autore: Dener Vieira Nascimento

Resumo: Este artigo analisa a (in)aplicabilidade da justiça gratuita no processo da usucapião administrativa, especificamente no que tange à isenção dos emolumentos, à luz do princípio do acesso à justiça. A pesquisa foi conduzida por meio de uma revisão bibliográfica abrangente e análise de legislações, doutrinas e precedentes jurisprudenciais. Os resultados indicam uma lacuna legislativa que impede a aplicação uniforme da justiça gratuita nos casos de usucapião extrajudicial, prejudicando o acesso à justiça para indivíduos economicamente hipossuficientes. Conclui-se que é necessário um aprimoramento legislativo para assegurar a isenção de emolumentos e garantir o acesso igualitário à justiça.

Palavras-chave: Acesso à justiça; usucapião extrajudicial; justiça gratuita.

1. Introdução

O presente estudo busca analisar a aplicabilidade da justiça gratuita no procedimento de usucapião extrajudicial, especialmente no que se refere à isenção dos emolumentos, sob a perspectiva do princípio do acesso à justiça. A Constituição Federal de 1988 estabelece em seu artigo 5º, inciso LXXIV, que o Estado deve prestar assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos, mas a ausência de regulamentação específica para a usucapião extrajudicial cria barreiras ao acesso à justiça (BRASIL, 1988).

A usucapião extrajudicial, introduzida pelo Código de Processo Civil de 2015, representa um avanço significativo no sistema jurídico brasileiro ao permitir a aquisição de propriedade por meio de um procedimento administrativo realizado nos cartórios de registro de imóveis (BRASIL, 2015). No entanto, a falta de clareza sobre a aplicação da gratuidade de justiça nesse procedimento levanta questões importantes sobre a igualdade de acesso.


2. Material e Métodos

Este artigo baseia-se em uma metodologia qualitativa, com uma revisão bibliográfica abrangente que inclui livros, artigos acadêmicos, legislações, doutrinas e jurisprudências relevantes sobre o tema. O estudo também examina circulares e provimentos das corregedorias estaduais que tratam da usucapião extrajudicial.

Para tanto, foram analisadas obras de autores renomados no campo do direito, como Reale (2002), Melo (2000), e jurisprudência relevante, além de documentos legais como a Constituição Federal de 1988 e o Código de Processo Civil de 2015. As circulares correcionais, como a Circular 102/2017 da Corregedoria Geral de Justiça, também foram consideradas para avaliar a implementação prática da usucapião extrajudicial.


3. Resultados

A pesquisa identificou que a falta de uma regulamentação clara sobre a isenção de emolumentos no processo de usucapião extrajudicial impede o pleno acesso à justiça. As corregedorias estaduais, por meio de circulares, têm buscado suprir essa lacuna, mas as soluções propostas são temporárias e insuficientes para garantir a isonomia no acesso ao procedimento.

Por exemplo, a Circular 102/2017 estabelece que a gratuidade deve ser acompanhada de uma decisão judicial anterior, o que, na prática, dificulta o acesso de pessoas economicamente hipossuficientes ao procedimento administrativo de usucapião (CIRCULAR 102/2017, 2017).


4. Discussão

A ausência de norma expressa sobre a isenção de emolumentos na usucapião extrajudicial contraria o princípio constitucional do acesso à justiça, uma vez que apenas indivíduos com recursos financeiros suficientes conseguem arcar com os custos do procedimento. A justiça gratuita, prevista na Constituição e no Código de Processo Civil, deve ser aplicada integralmente para garantir a inclusão de todas as camadas sociais (BRASIL, 1988; BRASIL, 2015).

Segundo Reale (2003), os princípios constitucionais atuam na formação da regra, dando direção ao direito. Nesse sentido, o princípio do acesso à justiça deve ser entendido como um mandamento que garante não apenas a possibilidade de ingresso em juízo, mas também a viabilidade de acesso a todos os meios de resolução de conflitos, incluindo os administrativos.

A omissão legislativa sobre a isenção dos emolumentos na usucapião extrajudicial cria uma desigualdade que impede o pleno exercício de direitos fundamentais. Conforme Silva (2001), a igualdade deve ser efetivada através de ações que tratem desigualmente os desiguais na medida de suas desigualdades.


5. Conclusões

É imprescindível que o legislador crie uma norma específica que regulamente a isenção de emolumentos na usucapião extrajudicial, assegurando assim o princípio do acesso à justiça para todos. Recomenda-se que entidades legitimadas proponham ações de descumprimento de preceito fundamental para assegurar a gratuidade da justiça nesse procedimento.

A criação de uma norma clara e abrangente sobre a isenção de emolumentos permitirá que todos os indivíduos, independentemente de sua condição econômica, possam usufruir do procedimento de usucapião extrajudicial, promovendo a justiça social e a igualdade de acesso aos direitos fundamentais.


Referências Bibliográficas

  • BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988.
  • BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 mar. 2015.
  • CIRCULAR 102/2017. Corregedoria Geral de Justiça, 2017.
  • MELO, José Reinaldo de Lima. Princípios constitucionais e acesso à justiça. São Paulo: Saraiva, 2000.
  • REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
  • SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 25. ed. São Paulo: Malheiros, 2001.

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