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Inteligência Artificial, moderação de conteúdo e prova digital: em um mundo onde qualquer coisa pode parecer real, em que podemos confiar?

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Laís Diniz

Advogado(a)

Imagem do artigo: Inteligência Artificial, moderação de conteúdo e prova digital: em um mundo onde qualquer coisa pode parecer real, em que podemos confiar?

Você já ouviu falar sobre "deepfakes"? Deepfake é um conteúdo criado ou alterado com o uso de Inteligência Artificial para fazer parecer que uma pessoa disse ou fez algo que, na realidade, nunca aconteceu. 

É possível, por exemplo: reproduzir a voz de uma pessoa; criar um vídeo falso utilizando seu rosto; alterar uma fotografia; fazer alguém aparentemente falar determinadas palavras; ou criar situações que nunca existiram. E quanto mais a tecnologia evolui, mais difícil pode ser perceber a falsificação apenas olhando ou ouvindo o conteúdo.
 
Isso cria uma situação bastante preocupante: nem tudo aquilo que parece verdadeiro é verdadeiro.
 
E o que isso tem a ver com você ou com a sua empresa?
 
Mais do que você pode imaginar. Imagine que alguém receba uma ligação com a voz do diretor financeiro da empresa ou de alguém próximo a você solicitando uma transferência bancária. Ou que um concorrente divulgue um vídeo falso envolvendo o proprietário da empresa ou uma pessoa mal intencionada divulgue um vídeo "pessoal" seu?
 
Os prejuízos podem ser financeiros, mas também podem atingir algo muito mais difícil de recuperar: a reputação. Por isso, o uso da Inteligência Artificial já deve fazer parte da gestão de riscos de empresas de todos os tamanhos e da vida pessoal também!
 
A utilização de IA não significa que uma pessoa pode fazer qualquer coisa sem consequências. Criar e divulgar um conteúdo falso utilizando a imagem, a voz ou o nome de outra pessoa pode atingir direitos como honra, imagem, privacidade e reputação.
 
Dependendo do caso, também pode haver consequências nas relações de consumo, trabalhistas, empresariais e até criminais. Por isso, quando uma pessoa ou empresa descobre que sua imagem está sendo utilizada indevidamente por Inteligência Artificial, é importante agir rapidamente.
 
Quanto mais tempo um conteúdo permanece disponível, maior pode ser sua disseminação. Um vídeo publicado em uma única conta pode, em poucas horas, ser copiado, compartilhado e publicado novamente em dezenas de outros lugares.
 
Como se proteger?
 
Não existe uma solução única, mas algumas medidas podem reduzir bastante os riscos.
 
Para pessoas:
 
1. Desconfie de pedidos urgentes por áudio ou vídeo.

Se alguém pedir dinheiro ou informações sensíveis, confirme por outro meio.

2. Não compartilhe imediatamente conteúdos sensacionalistas.

Antes de encaminhar, procure verificar a origem.

3. Preserve conteúdos suspeitos.

Se você for vítima de um conteúdo falso, não apague imediatamente as mensagens, arquivos ou links relacionados ao caso.

Para empresas:

1. Crie procedimentos internos para solicitações financeiras.

Não dependa exclusivamente de mensagens ou ligações para autorizar pagamentos.

2. Treine os funcionários.

Os golpes com IA podem atingir qualquer pessoa dentro da empresa.

3. Estabeleça regras para utilização de ferramentas de IA.

Funcionários precisam saber quais informações podem ou não ser inseridas em ferramentas de Inteligência Artificial.

4. Proteja a identidade digital dos principais executivos.

Voz, imagem, assinatura e informações públicas podem ser utilizados para criar golpes cada vez mais sofisticados.

5. Tenha um plano para situações de crise.
 
Se surgir um vídeo falso envolvendo a empresa ou um de seus representantes, os primeiros passos podem fazer diferença.

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