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Dubbio

O plano de saúde negou sua cirurgia urgente — e agora?

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Negativa de Cirurgia de Emergência: O que fazer quando o plano de saúde diz "não"?

Receber a notícia de que você ou alguém que você ama precisa de uma cirurgia urgente é um momento de extrema vulnerabilidade. O mundo parece parar, e o foco se torna apenas um: a recuperação. No entanto, para muitos brasileiros, esse momento de angústia é agravado por um obstáculo burocrático: a negativa de cobertura pelo plano de saúde.

A sensação de impotência é devastadora. Afinal, você paga as mensalidades em dia justamente para ter segurança nos momentos em que a vida está em risco. Se você está passando por isso, saiba que você não está sozinho e essa negativa pode ser abusiva.

O Exemplo da Vida Real: O Fator Tempo
Imagine a seguinte situação: um paciente descobre um tumor maligno que está comprimindo órgãos vitais. O médico oncologista prescreve uma cirurgia imediata, pois cada dia de espera aumenta o risco de metástase ou falência de órgãos.
O plano de saúde, entretanto, nega a autorização sob a justificativa de que "o procedimento não consta no rol da ANS" ou que o paciente ainda está em "período de carência".

A verdade jurídica: Em casos de emergência e urgência (com risco de morte ou lesões irreparáveis), a carência é reduzida por lei para apenas 24 horas. Além disso, se o médico assistente indicou a cirurgia como o tratamento necessário para preservar a vida, o plano de saúde não pode substituir a decisão técnica do médico por uma decisão administrativa.

Por que a negativa pode ser abusiva?

O Judiciário brasileiro entende, de forma majoritária, que o contrato de saúde deve cumprir uma função social: proteger a vida. Algumas justificativas comuns que costumam ser consideradas ilegais pelos tribunais incluem:

  • Exclusão pelo Rol da ANS: O rol é uma lista de cobertura mínima, não máxima. Se o procedimento tem evidência científica, ele deve ser coberto.

  • Carência para Urgência: Como mencionado, para casos de emergência, o prazo é de 24 horas após a contratação.

  • Materiais Específicos (OPME): Se a cirurgia precisa de uma prótese ou material específico para o sucesso do ato cirúrgico, o plano não pode negar o material.


Mantenha a calma e busque seus direitos

Se o plano de saúde negou a sua cirurgia, o primeiro passo é exigir a negativa por escrito. É um direito seu saber exatamente por que o pedido foi recusado.

Com esse documento e o relatório médico detalhado em mãos, o caminho mais eficaz é buscar ajuda jurídica especializada. Em muitos casos, é possível ingressar com uma ação judicial com pedido de "liminar" — uma decisão rápida dada pelo juiz em poucas horas ou dias devido à urgência do quadro clínico — para garantir que a cirurgia seja realizada imediatamente.

Lembre-se: o direito à saúde e à vida prevalece sobre cláusulas contratuais limitativas. Não aceite um "não" como resposta final quando a sua saúde está em jogo. 

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