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União Estável Após a Morte: Como a Justiça Reconhece e Protege os Direitos do Companheiro?

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União Estável Após a Morte: Como a Justiça Reconhece e Protege os Direitos do Companheiro?

O reconhecimento da união estável post mortem ainda gera dúvidas e debates, especialmente quando uma das partes já era legalmente casada. Recentemente, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reafirmou que é possível reconhecer a união estável nesses casos, desde que haja comprovação de separação de fato ou judicial do falecido.


O Caso Julgado

O caso envolveu um pedido de reconhecimento de união estável post mortem entre a autora e um homem que, apesar de ainda possuir um casamento registrado, já estava separado judicialmente de sua esposa desde 1984, ou seja, não mantinha mais vínculo conjugal ou vida em comum com ela. Após o falecimento do companheiro, os filhos dele contestaram a alegação da autora, argumentando que a relação entre os dois era apenas um namoro, sem os requisitos caracterizadores da união estável.

No entanto, ao analisar o conjunto probatório, o tribunal constatou que a convivência do casal era pública, contínua e duradoura, demonstrando a intenção mútua de constituir família. Testemunhos e documentos comprovaram que a relação transcendeu um simples namoro, sendo reconhecida socialmente e mantendo estabilidade ao longo dos anos. Diante desses elementos, o Tribunal de Justiça concluiu que a relação preenchia os requisitos do artigo 1.723 do Código Civil, confirmando a existência da união estável e garantindo os direitos da autora.


Ementa do Julgamento

Apelação - Ação de reconhecimento de união estável "post mortem" - Sentença de procedência - Apelo dos réus - União Estável - Homem casado - Possibilidade de reconhecimento se comprovado separação de fato ou de direito - Entendimento do C. STJ - Pretensão dos réus descaracterizar a união estável para namoro, ou construir narrativa de uniões paralelas - Descabimento - Entidade familiar - Configuração - Robusto conjunto probatório comprovam as alegações autorais - Inteligência do art. 1.723 do Código Civil - Precedentes jurisprudenciais - Sentença mantida - Recurso desprovido.

(TJ-SP - Apelação Cível: 10006813520168260634 Tremembé, Relator.: Jane Franco Martins, Data de Julgamento: 08/10/2024, 9ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 08/10/2024)


O Entendimento dos Tribunais

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem consolidado o entendimento de que a existência de um casamento formal não impede o reconhecimento da união estável, desde que seja comprovada a separação de fato. Esse posicionamento visa garantir direitos às pessoas que efetivamente viviam em união estável, independentemente da formalização do divórcio.


Repercussões Práticas

A decisão impacta diretamente questões patrimoniais e previdenciárias, garantindo ao companheiro(a) sobrevivente direitos como pensão por morte e herança. Além disso, reforça a necessidade de documentação e provas concretas da relação para evitar impugnações futuras.


Conclusão

O reconhecimento da união estável post mortem tem se mostrado essencial para garantir direitos aos companheiros sobreviventes. A jurisprudência atual confirma que a separação de fato do cônjuge casado é suficiente para possibilitar esse reconhecimento, desde que haja provas sólidas da relação. Para aqueles que vivem em união estável, é fundamental manter registros documentais da convivência para evitar questionamentos futuros.

Se você tem dúvidas sobre o reconhecimento da união estável e seus impactos jurídicos, estou à disposição para orientação.
@stefanycastoldo.adv
Dra. Stéfany Castoldo
OAB/SP 524.236

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