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OS DESAFIOS DA ADVOCACIA E REFLEXOS PÓS-PANDEMIA

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RODRIGO RICHTER

Advogado(a)

Imagem do artigo: OS DESAFIOS DA ADVOCACIA E REFLEXOS PÓS-PANDEMIA
A advocacia passou por um período nunca antes enfrentado, um período de restrições geradas em decorrência da pandemia por COVID-19. A pandemia trouxe consigo não só um número bastante expressivo de óbitos e sequelas à população, trouxe também o desafio do enfrentamento, e da adaptação da atividade jurisdicional frente às limitações impostas pelo surto do coronavírus.

No Brasil todos os serviços considerados essenciais tiveram que passar por adaptações, e com o Judiciário não foi diferente. A advocacia, como ofício precípuo para se alcançar a justiça, se viu obrigada a amoldar-se às novas exigências, para que pudesse se adaptar ao controle pandêmico sem paralisar por completo suas atividades.

Com isso ocorreram diversas mudanças na rotina dos advogados, e esses profissionais se viram obrigados a fazer uma espécie de reciclagem, aprendendo coisas novas e tecnologias até então desconhecidas por muitos.

Uma dessas inovações foram as audiências realizadas por videoconferência, as denominadas “audiências virtuais”, e para isso, se faz necessário baixar um aplicativo específico para acessar a plataforma na qual será realizada a audiência, um desses aplicativos muito utilizado pelo judiciário é o ZOOM Cloud Meetings, muito utilizado na realização dessas audiências virtuais.

Outra mudança significativa na advocacia foi o modo de se trabalhar, com a adoção dessas novas tecnologias, os advogados começaram a priorizar o “Home Office”, trabalhando no conforto de suas residências e utilizando os chamados “escritórios virtuais” caso houvesse a necessidade de atendimento ao cliente de maneira presencial. Esses escritórios virtuais foram uma inovação bastante crescente em período pandêmico, e foi uma forma bastante eficaz para desonerar os advogados que necessitam utilizar-se de um escritório de forma esporádica.

Com as medidas de isolamento social, o atendimento aos clientes também sofreu algumas restrições. Por um longo período de tempo, o atendimento presencial dos clientes no escritório ficou suspenso, sendo esse atendimento substituído pela comunicação realizada através de ligações telefônicas, mensagens através de aplicativos de mensagens instantâneas, e-mails e algumas plataformas virtuais como Webex, GoToMeeting, Zoom e Skype.  

Porém uma categoria de advogados que foi bastante prejudicada com as mudanças trazidas pela pandemia, foram o chamados “correspondentes jurídicos”, que são advogados contratados remotamente por escritórios de outras unidades federativas para realizarem as audiências desses escritórios de fora no Estado de atuação do correspondente jurídico. Dessa maneira, os escritórios de outros Estados, evitariam ter despesas vultuosas ao terem que custear as passagens e hospedagens de seus advogados para fazerem uma única audiência em outro Estado. Porém, com a aplicação das medidas restritivas e a substituição das audiências presenciais pelas virtuais, essa demanda pelos correspondentes jurídicos caiu drasticamente, prejudicando consideravelmente os advogados que trabalhavam nessa modalidade de advocacia.

Muitas foram as transformações no cotidiano dos advogados, que precisaram se adaptar a essas mudanças para continuarem com suas atividades. E apesar de já estarem sendo aplicadas as formas de digitalização dos processos antes mesmo da pandemia, muita coisa ainda precisava ser aprimorada, e esse surto do coronavírus acabou acelerando esse processo de aprimoramento virtual do judiciário.

Assim sendo, a pandemia gerada pelo Covid-19 não trouxe somente aspectos negativos para o exercício da advocacia, mas acabou também acelerando o processo de modernização na maneira como o judiciário dirimia os conflitos entre as partes envolvidas, e uma dessas inovações, foi a utilização em massa da audiência virtual, que veio para ficar, e se tornará um meio mais eficaz e menos oneroso de resolução de litígios para a posteridade.

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