As redes sociais são utilizadas para compartilhar experiências, valores em comum e conectar pessoas de diferentes lugares. Em plataformas como instagram e facebook, as pessoas publicam fotos pessoais, com amigos, familiares, textos, e também expõem realizações profissionais, viagens e relacionamentos.  

À primeira vista, tudo que é vivido e compartilhado nas redes, justamente por ser um meio digital, possa passar a impressão de que não haverá consequências. Ultimamente, as postagens tem permitido desde a comprovação de possíveis fraudes contra credores ao reconhecimento de união estável. 

Isso tem sido possível, porque as publicações passaram a ser usadas como meios de provas em processos judiciais. E o que isso significa? Bom, imagine um caso em que uma pessoa ajuíza uma ação e pede Gratuidade Judiciária - um benefício para àquele que não pode arcar com as custas do processo. 

Todavia, em suas redes sociais esse mesmo sujeito aparenta ter uma vida luxuosa, cheia de viagens e ostentação. É um prato cheio para a parte contrária pedir para que não seja deferido a gratuidade. Esse exemplo também é cabível para aquelas situações na qual há uma demanda judicial em que o requerido alega não possuir dinheiro para pagar uma determinada dívida, porém em seu perfil existem várias fotos recentes em baladas, festas e viagens.

Na área criminal, as redes sociais podem ser utilizadas para inocentar uma pessoa. Isso porque, vigora o princípio do livre convencimento do juízo, previsto no art.155 do CPP, desde que não seja considerada uma prova ilícita, ou seja, aquelas que não tenham sido obtidas violando alguns dos princípios constitucionais. 

Então, uma foto com familiares e amigos, em uma festa ou em uma viagem pode demonstrar que aquela pessoa acusada de cometer um determinado crime não o cometeu, justamente porque nem estava no local da infração penal.  

Além disso, é importante ressaltar que não apenas as postagens já mencionadas (como fotos e textos) são consideradas como meios de prova, mas, igualmente, as mensagens trocadas em aplicativos como whatsapp, tinder, entre outros. 

Portanto, o Poder Judiciário acompanha a modernização da sociedade. Em um primeiro momento, com as digitalizações dos processos, mesmo que não seja total e, agora, com a utilização das redes sociais como meios de provas. 

O que também nos faz pensar sobre o uso consciente dessas plataformas, porque o seu surgimento fez com que as pessoas passassem a expor cada vez mais suas preferências, hobbies e opiniões. Ao mesmo tempo, intensificou a necessidade e a pressão para ter e ostentar cada vez mais.