Prezado leitor, se você chegou a este artigo, provavelmente estava perambulando por esse incrível mundo digital com o seguinte questionamento: "será mesmo que eu preciso de um advogado?!"

Obviamente que antes de ficar escavando os confins da internet atrás de algum esclarecimento, você se deparou com algum empasse que, se não lhe tirou o sono, ao menos o incomodou o bastante para se interessar em participar da leitura.

Não é novidade que o mundo moderno – que é acompanhado de um pacote gentil de compromissos, responsabilidades e deveres – seja um lugar difícil de se viver sem que encontremos contratempos diversos.

Assim, mesmo que o Direito, por essência, se comprometa a impor normas e regras em busca da paz social, a conjuntura de diversos fatores – decorrentes do gentil pacote antes mencionado, principalmente – acaba por inviabilizar, muitas das vezes, que todos estejam a par de cumprir, quiçá conhecer todos seus direitos e deveres, o que poderá (e provavelmente irá) causar uma bela dor de cabeça em algum momento.

Nesse sentido, podemos dizer que existem duas principais alternativas para você, cidadão ou cidadã que deseja prevenir litígios ou resolvê-los da maneira mais rápida e barata possível.

A primeira alternativa é inerente ao próprio interessado, ou seja, depende única e exclusivamente de você e de sua vontade. Explico. Passar a dedicar algum tempo para conhecer, entender e aplicar as leis, fará com que você esteja preparado para evitar abusos e ilegalidades do cotidiano, e também para exigir o cumprimento de seus direitos quando for necessário, tanto em face do Estado quanto de outro particular. Para isso, são infinitos os meios de se adquirir conhecimento jurídico, principalmente na internet, que tem diversos conteúdos simples e objetivos, focados no próprio cidadão. Porém, este é um assunto que pretendo abordar futuramente.

A segunda alternativa é, como você já deve imaginar, recorrer à figura do advogado, que passaremos a analisar a seguir.

 

A figura do advogado na vida do cidadão

Bem, para que você possa entender um pouco melhor sobre o papel do advogado, irei recorrer à uma parte da história do grande gênio Leonardo da Vinci, que constantemente se utilizava de analogias para explanar suas ideias.

Em 1487, quando Leonardo da Vinci estava auxiliando no projeto para a construção de um zimbório na Catedral de Milão, o mesmo lançou mão do seguinte argumento filosófico-analógico:

Os remédios, quando usados da maneira adequada, restauram a saúde dos inválidos, e um médico fará o uso correto se conhecer a natureza humana. Uma catedral adoentada necessita exatamente do mesmo – de um médio-arquiteto que conheça a natureza dos edifícios e as leis nas quais se baseia a construção correta.[1]

Partindo da premissa analógica usada por Leonardo da Vinci, adequando-a à nossa situação específica, podemos dizer que os remédios seriam os elementos inerentes à prática jurídica, a natureza humana seria a sistematização do problema, e o médico seria o advogado.

Em resumo, se você tem um problema jurídico, o advogado, em regra, está apto a solucioná-lo da melhor maneira possível. Digo “em regra”, pois não é todo advogado que atua de forma ampla – em todas as áreas. Assim como os médicos, os advogados tendem a se especializar em determinada área para melhor atender os seus clientes, por isso, às vezes, alguns advogados podem não atuar em certas frentes.

Noutro ponto, não podemos deixar de mencionar que o advogado não atua somente de forma remediativa, mas também de maneira preventiva, buscando evitar o problema, economizando dinheiro, tempo e energia do cliente.

 

Mas então, será mesmo que eu preciso de um advogado?

Ainda me utilizando da analogia feita aos profissionais do ramo da medicina, posso lhe dizer que quando você perguntar a si mesmo se realmente precisa de um advogado, você pode imaginar uma situação cotidiana envolvendo sua própria saúde.

Vez em quando nos deparamos com uma bela dor muscular após um longo dia de trabalho, certo? Quando temos o conhecimento de que aquela dor (problema) é proveniente de um excessivo esforço muscular, sabemos como remediá-la, seja com um analgésico ou mesmo uma massagem, por exemplo, sem necessariamente ter que ir ao médico.

Em situações jurídicas simples do cotidiano, das quais temos o prévio conhecimento de como proceder (daí que vem a importância de conhecer, entender e aplicar/cumprir as leis, como comentei no início deste texto), também podemos agir por nossa conta. Por exemplo, quando você se dirige ao supermercado para comprar uma caixa de leite contendo 12 unidades de 1 litro cada, e, ao chegar em casa, percebe que dentro da caixa só haviam 11 unidades, caso tenha o prévio conhecimento das normas do Código de Defesa do Consumidor, saberá que poderá optar por uma das alternativas do Art. 19, como ter o direito ao litro de leite que estava faltando. Tudo isso, também, sem necessariamente ter que contatar um advogado.

É claro que existem situações em que é impossível ignorar a atuação de um médico, como perder um dedo enquanto prepara o jantar para o seu companheiro(a) (espero que isso não aconteça!). Igualmente, existem casos em que não há como se esquivar da figura de um advogado, como em assuntos complexos envolvendo lides já estabelecidas, que não estejam nos Juizados Especiais Cíveis ou Justiça do Trabalho, por exemplo.

Todavia, a atuação de qualquer profissional em assuntos de baixa, média ou alta complexidade, pode ser extremamente vantajoso, visto que o seu problema estará sendo examinado por alguém que tem o know how para solucioná-lo da melhor forma possível. No caso do advogado, além de ser considerado indispensável para a administração da justiça, sua atuação é extremamente vantajosa no desenvolver das relações sociais, visto que pode atuar, como já mencionado, prevenindo complicações das mais altas proporções.

Dito isso, vão aqui algumas dicas de como escolher um bom advogado para lhe auxiliar nos mais diversos assuntos jurídicos do dia a dia:

  • Verifique o seu problema: antes de mais nada, você precisa saber em qual área do direito se encaixa o seu problema. É claro que isso não é uma obrigação, mas pode lhe poupar tempo. A internet é um bom meio de conseguir esse tipo de informação, além de que sempre existe alguém que pode lhe dar alguma informação útil.
  • Filtre o advogado pela área de atuação: todo advogado está autorizado a atender qualquer tipo de demanda, porém, levando em consideração a extensão do ramo do direito, muitos advogados tendem a se especializar em determinadas áreas para melhor atender os seus clientes. Todavia, se você tem preferência por um advogado, mas ele não costuma atuar em determinada área, o procure e veja se há a possibilidade dele estar se dedicando à sua causa em específico.
  • Conheça o seu advogado: é essencial que você saiba informações essenciais do seu advogado, como, por exemplo, em que área atua, se está com a inscrição regular junto ao Cadastro Nacional dos Advogados (CNA), se já publicou artigos científicos que tenham relação com o problema que você está enfrentando, etc. Muitas informações importantes podem ser encontradas, inclusive, nas redes sociais do advogado, ou até mesmo no próprio site (caso o mesmo tenha um).
  • Busque outra opinião: antes de confiar sua causa à um advogado, tente procurar outras opiniões. O mundo do direito é grandioso, e são várias as estratégias que podem ser empregadas para um mesmo caso. Além disso, alguns profissionais podem estar mais habituados em determinados assuntos do que outros, mesmo que não especialistas em determinada área.
  • Sinta-se seguro com o seu advogado: mais do que saber a prática jurídica, um bom profissional se dedica à causa do seu cliente de forma integral. Dê preferência à advogados que demonstrem se importar em trazer os clientes para dentro de suas estratégias: ouvindo opiniões e explicando exatamente os procedimentos que adotou e como os mesmos funcionam. Dessa maneira, você sentirá mais segurança e estará por dentro de tudo o que estiver acontecendo no decorrer do atendimento.
  • Leia atentamente o contrato: antes de assinar o contrato de serviço, procure ler atentamente todas as cláusulas que o integram. Lá estarão pontos importantes, como, por exemplo, se o advogado atuará em todos os graus de jurisdição; como ocorrerá o pagamentos das demais despesas decorrentes do serviço; como ocorrerá o pagamento dos honorários; etc.

 

 Referências

[1] ISAACSON, Walter. Leonardo da Vinci. Tradução por André Czarnobai. – 1 ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2017. p. 167.