Com a situação atual do país, está cada vez mais comum a tentativa de se obter crédito junto a bancos ou outras instituições financeiras que, em momentos de economia fraca, nem sempre facilitam a liberação de recursos à população.

Isso porque, mesmo com todas as dívidas pagas, acordos com bancos e retirada do nome do devedor de bancos de dados como o SPC e SERASA, o acesso ao crédito nem sempre acontece e muitas vezes não há uma explicação bem dada para a negativa.

O que ocorre é que atualmente há bancos de dados que criam uma nota para o consumidor denominada “score”, que pode variar de 0 a 1000 e é determinante para que se tenha acesso ao crédito.

Para que o consumidor possua uma nota cada vez mais alta, significando que ele é um “bom pagador”, é necessário que possua um bom histórico de pagamentos de dívidas passadas, apresente uma renda constante (que não precisa ser alta) e não use o crédito com muita frequência.

Assim, por exemplo, aquele consumidor que ganha muito acima de um salário mínimo, mas costuma pagar todas as suas contas com cartão de crédito em parcelas, pode ter um score menor do que o trabalhador que ganhe apenas um salário mínimo, mas paga todas as suas contas à vista. Para o mercado, o fato de a pessoa ter uma renda alta não quer dizer que ela tem um bom histórico de quitação de suas dívidas.

O acesso ao seu próprio score é público aos consumidores e pode ser consultado pela internet em serviço disponibilizado pelo SERASA. No portal há, inclusive, informações mais objetivas sobre o critério de pontuação como, por exemplo, o fato de que as pessoas que apresentam score entre 901 e 1000 tem altas chances de pagarem as suas dívidas, sendo que apenas 5 entre 100 delas deixará de quitar com as suas obrigações.

A utilização desse tipo de cadastro não é ilegal, de forma que o consumidor, mesmo que não possua nenhuma dívida ou negativação, pode ter o acesso ao crédito negado, sendo que a instituição financeira não possui qualquer obrigação de conceder recursos emprestados.

Desse modo, embora até seja possível a propositura de uma ação judicial para a discussão da pontuação concedida ao consumidor, haverá a necessidade de oferecer vasta documentação para comprovar a sua boa situação financeira, sendo que não há qualquer garantia de que a ação com esse objetivo seria bem sucedida.