Você já pensou em considerar os movimentos e gestos de uma pessoa na hora de avaliar a sua credibilidade ?

Pois bem ! Recentemente, um juiz da Vara do Trabalho de Porto Alegre, ao avaliar o depoimento de uma testemunha, escreveu em sua sentença que: “Muitas vezes, ocorre de a testemunha relatar determinada situação, mas sua atitude corporal (linguagem não-verbal) não corresponder à informação verbalizada”.

Citou como exemplo a situação de quando perguntado algo e a pessoa verbaliza “sim”, mas, concomitantemente, faz o gesto de “não”.

Em tempo, a liberdade do Juiz na apreciação da prova, inclusive testemunhal, está prevista no nosso ordenamento jurídico, desde que ele indique as razões do seu convencimento.

Para Pierre Weil e Roland Tompakow, autores do Livro “O corpo fala”, todos podemos aprender a ler a linguagem corporal porque o corpo fala pelo mesmo “método global”.

Já para o especialista em comportamento Paulo Sérgio de Camargo, autor do livro, “Não minta para mim: psicologia da mentira e linguagem corporal”, um especialista tem 65% (sessenta e cinco por cento) de chance de identificar um mentiroso pela sua postura. Segundo ele, os sinais de mentira, muitas vezes se confundem com os sinais de timidez, ansiedade e nervosismo.

Ainda assim, para Camargo há alguns sinais clássicos de mentirosos:

  • Tapar a boca, afagar o queixo, limpar os lábios com os dedos, colocar um lápis ou qualquer outro objeto diante de boca – sinais comuns de quem quer impedir que os demais escutem a mentira ou até o desejo inconsciente de reprimir suas próprias falsas palavras;
  • Evitar contato visual, baixar os olhos para que o mentiroso evite que a falsidade das suas informações seja percebida. Mas, como muitos mentirosos sabem disso, acabam fazendo exatamente o contrário, para convencer de que estão falando a verdade;
  • Comprimir os lábios, para “evitar” que as palavras saiam de sua boca;
  • Olhar para cima e para o lado direito: neste gesto o indivíduo quer criar uma imagem fictícia para contar;
  • Mostrar microrrugas na testa, pelo nervosismo trazido pela mentira;
  • Restringir ou controlar movimentos de mão e braços, na tentativa de passar “despercebido” do olhar do interlocutor e para que seus gestos não se contradigam às suas palavras;
  • Movimentos rígidos e repetitivos;
  • Encolher a cabeça, retraindo o corpo, para controlar suas próprias emoções;
  • Tocar muitas vezes o próprio corpo, como tirar uma sujeira imaginária na perna, coçar o nariz, entre outros;
  • Encolher apenas um dos ombros, com postura assimétrica. Para o norte-americano Paul Ekman, um dos maiores especialistas do mundo em expressões faciais e corporais, este é o sinal mais clássico da mentira;
  • Tentar se afastar do interlocutor – tente se aproximar de um mentiroso.

E você, consegue detectar um mentiroso? O que acha de um Juiz considerar a linguagem corporal de uma testemunha para validar ou não o seu depoimento? Deixe aqui o seu comentário.

Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, Exame.com