Em uma empresa de pequeno ou médio porte, onde os sócios são amigos ou familiares entre si, há muitas divergências ou conflitos relacionados a sua administração. Isso pode ocorrer devido a uma série de fatores, exemplificamos dois: incompatibilidade de opiniões (os profissionais têm experiências e formações diferentes e propostas também distintas para alcançar as metas), e falta de definição expressa na participação societária (atividades e funções, divisão de lucros, remuneração, férias, etc.). A vantagem de uma sociedade composta por profissionais com competências complementares pode tornar-se um grande problema, quando os conflitos não são bem administrados e colocados acima dos interesses da empresa.

Os principais motivos para uma sociedade entrar em declínio, com uma imagem negativa de sua marca, acarretando o encerramento de suas atividades, são as motivações diferentes de cada sócio, a comunicação falha e/ou ausente, a falta de liderança e das funções de cada sócio serem definidas. Quando os sócios não conversam sobre os problemas da empresa e novas ideias para esta, surgem desentendimentos sobre o seu rumo, prejudiciais no seu funcionamento.

Isso piora quando uma das partes não entrega os resultados prometidos e ainda deixa problemas pessoais e comportamento inadequado interferir na parte profissional. Estes fatos podem ter relação com a falta de um líder, para gerir e definir as funções de cada parte da sociedade e impulsionar as atividades na empresa, pois é necessário existir uma ordem para o trabalho fluir.

Sem organização da rotina, surgem conflitos de interesse, pois as partes societárias envolvidas vão agir com motivações diferentes uma da outra (por exemplo, uma delas foca apenas nos lucros e a outra dedica-se de maneira mais holística, buscando o crescimento do negócio). É importante ressaltar que esse tipo de situação negativa extrapola as relações profissionais e prejudica também as relações pessoais, caso as duas partes tenham relação conjugal, familiar ou de amizade.

Existe diversos motivos para uma sociedade acabar e afetar a estrutura de um negócio, como as diferentes motivações, comunicação ruim, desorganização e etc.. Tudo isso pode ser evitado ou resolvido sem litígio (sem
o judiciário), através de algumas medidas contratuais, incluindo a gestão pessoal e administrativa.

Primeiro, é essencial formalizar expressamente todas as atividades – desde as funções exercidas até a divisão de ações – baseado no capital investido de cada parte e não por preferências pessoais. Depois, a comunicação a respeito de qualquer aspecto relacionado ao negócio, deve ser acessível entre as partes (reuniões periódicas – semanais ou quinzenais – para ocorrer diálogo sobre questões prioritárias e evitar omissão das partes). Também é importante criar ferramentas de gestão (de metas a cumprir e atividades exercidas, de preferência mensais), com o objetivo de estabelecer estratégias e questões internas para melhor enfrentar as ameaças externas.

Caso os problemas não se resolvam ao ponto de evitar os conflitos empresariais, é necessário a intervenção de um mediador, pois ele faz todas as partes ouvirem-se e busca um meio de beneficiar todos os envolvidos. A mediação comercial pode auxiliar na resolução das pendências entre sócios de maneira mais rápida e amigável (comparada a uma ação judicial muito extensa).

Mas, se nada impedir a saída ou exclusão de um sócio da sociedade (até mesmo por sua morte), é recomendado cumprir todas as obrigações legais e buscar a orientação de um advogado especialista em direito societário, que alertará sobre fatos relevantes e as responsabilidades e de cada parte, durante e após esse processo, pois é essencial haver um contrato social bem redigido com todas as atividades expressas e respectivos ganhos de cada sócio para que beneficie a sociedade, mesmo em um cenário de conflito. Por fim, quando há entre sócios relações conjugais, familiares ou de amizade devem sempre ser preservados os laços afetivos, pois o importante é manter a base da empresa firme para a sua prosperidade.