O momento de crise econômica é perfeito para os golpistas. Com a perda de quase 8 milhões de postos de trabalho e mais de 100 milhões de brasileiros solicitando o auxílio-emergencial, quadrilhas aproveitam o sufoco financeiro para aplicar golpes e levar as últimas economias de suas vítimas.

O procedimento é o mesmo em todos os casos relatados. Um suposto atendente – com foto profissional no perfil – oferece, pelo aplicativo Whatsapp, um contrato de empréstimo em condições muito melhores que as oferecidas pelo mercado. À vítima, são enviados contrato de empréstimo, número de CNPJ e site da suposta da empresa. A farsa é trabalhada em seus mínimos detalhes.

Com o aceite do “contrato”, o atendente informa a condição para liberação do empréstimo: é preciso pagar apenas uma taxa, a título de seguro da operação. Em seguida, surge outra taxa, outro seguro, um pedido de depósito, mais uma pequena transferência... a farsa se prolonga até a vítima, subtraída de todas as suas reservas, declarar que não possui mais nenhum centavo.

Então a “empresa” desaparece. Os pedidos de liberação do empréstimo são respondidos com evasivas; a restituição dos valores é negada; e, em pouco tempo, todos os contatos da suposta empresa tornam-se indisponíveis – o número da vítima é bloqueado.

No âmbito das fraudes virtuais, a informação e a prevenção são sempre as melhores armas. Algumas dicas simples podem evitar os golpes:

  • Desconfie de propostas fora da realidade do mercado.

O dito popular vem em boa hora: “não existe almoço de graça”. A oferta de juros muito abaixo dos praticados deve acender um sinal de alerta. Lembrando que as taxas médias de juros praticados por diversas instituições financeiras estão disponíveis para consulta no site do Banco Central;

  • Não importa o quão boa a oferta pareça ser, indague uma pessoa de sua confiança acerca da credibilidade da proposta.

Aliás, quanto melhor parecer a oferta, maior deve ser a cautela do consumidor. Os golpistas costumam usar de uma falsa urgência: “você precisa aceitar agora”; “basta realizar o depósito que o valor é imediatamente liberado”. Em meio a esse jogo emocional, muitas vezes não percebemos a armadilha em que estamos entrando. Sempre consulte um terceiro (amigo, familiar, colega) para verificar se a proposta não lhe parece “boa demais para ser verdade”;

  • Pesquise a empresa no Google.

As falsas denominações utilizadas pelas empresas, em muitos casos, já possuem registros de processos judiciais ou reclamações em sites como o Reclame Aqui. Além disso, qualquer instituição financeira legítima possui vários canais on-line (sites, redes sociais, aplicativos) que podem ser verificados em uma rápida pesquisa.

  • Nunca realize depósitos/transferências em favor de terceiros.

Nenhuma instituição financeira, JAMAIS, solicitará depósitos em favor de pessoas físicas como requisito para liberação de empréstimo. Aliás, o pedido de depósito prévio, via Whatsapp, já traz acentuada suspeita de fraude. Essa suspeita é confirmada caso o suposto agente solicite que depósitos sejam feitos em favor de pessoa física ou jurídica diversa da instituição financeira.

Por fim, assinala-se que, para suspeitas de fraudes, golpes ou outros danos causados por instituições financeiras regulares, é possível o registro de Reclamação no site do Banco Central, sendo a instituição financeira intimada pelo BC a prestar os devidos esclarecimentos ao consumidor.