O fechamento da empresa Ford no Brasil impactou não só os consumidores, como também os seus funcionários. Aproximadamente 12 mil pessoas perderam seus respectivos empregos, entre aqueles que trabalhavam diretamente com a empresa e aqueles que eram empregados de outras empresas, mas que prestavam algum serviços para a Ford. 

A decisão de sair do Brasil faz parte de uma reestruturação global da Empresa com o objetivo de melhorar a sua situação financeira. Agora, quem terá que fazer essa reestruturação são os municípios que possuíam unidades da Ford no Brasil, tendo em vista que haverá uma queda de arrecadação e um grande número de pessoas desempregadas. 

Contudo, é importante frisar que os trabalhadores que perderam seus empregos devem se atentar aos seus direitos. Isso porque os funcionários demitidos terão direito a receber as mesmas verbas que receberiam caso fossem dispensados sem justa causa, ou seja, a empresa não ficará isenta de suas responsabilidades por estar encerrando suas atividades no país.  

Assim, os trabalhadores terão direito a receber o saldo salarial, isto é, os dias de salário ainda não pago, aviso prévio (indenizado ou trabalhado), férias (ainda não usufruídas),  13º salário proporcional, férias proporcionais ao período aquisitivo ainda não completado, indenização correspondente a 40% do valor de seu FGTS, saque do FGTS e fornecimento das guias para o seguro-desemprego. 

Caso essa demissão em massa tivesse ocorrido antes da reforma da legislação trabalhista, haveria a possibilidade de negociação com o sindicato da categoria profissional. Contudo, após a reforma não é mais necessário haver negociação com o objetivo de tentar criar condições mais benéficas para os trabalhadores. Embora a falta de previsão legal não gera nenhum impedimento para que a Empresa crie, por iniciativa própria, maneiras de diminuir tal impacto, inclusive com negociação com o coletivo da categoria profissional. 

Apesar da Ford estar passando por uma reestruturação, suas atividades não foram encerradas em decorrência de dificuldades econômicas ou devido a um processo de falência, por exemplo. Até porque, caso essa fosse a questão, o trabalhador deveria ajuizar ação trabalhista em face do empregador. 

Por fim, em caso de dúvidas sobre seus direitos, os funcionários demitidos poderão entrar em contato com algum advogado(a) para saber quais passos devem ser seguidos. De toda forma, o Ministério da Economia tem estudado formas de tentar realocar os funcionários despedidos. Contudo, são ideias preliminares e ainda estão em análise, mas não deixa de ser uma boa notícia para aqueles que de alguma forma foram impactados com a decisão da Ford de sair do Brasil. 


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